quinta-feira, 15 de julho de 2010

Adultos

Porque nós nos tornamos adultos idiotas? porque quando crescemos achamos que chorar por um coração partido, chorar por uma lembrança alegre ou simplesmente chorar porque perdemos alguém que amamos é algo que devemos evitar? Somos todos adultos idiotas. Quando crianças temos uma facilidade maior em chorar, chorar é antes de tudo lavar a alma. Chorar é antes de tudo manifestar um sentimento. Simplesmente em algum momento da nossa vida decidimos deixar de chorar. Se comover com uma cena triste, se comover com uma lembrança doce. As vezes eu choro porque sinto falta do meu filho. Chorei a semana passada pela forma precoce da ida da Joana. Chorei lembrando momentos felizes com meu filho. Ouvi um dia uma pessoa falar que chorar é demonstração de fraqueza. A real demonstração de fraqueza é esconder os sentimentos.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sombras do Amor

Eu sempre gostei muito de uma frase do Guimarães Rosa que define a saudade. Segundo seus descritos na obra Ave Palavra (recomendo que vocês todos leiam), saudade é o coração dando sombras. Sempre achei que saudade é um sentimento egoísta, saudade é a falta do ente querido do nosso lado. No caso do meu lado. Eu gostaria as vezes de ter escrito alguns poemas que não escrevi. Eu gostaria de descrever melhor o que sinto nos momentos quando estou assistindo um filme meloso sobre relacionamento de pai e filho e sinto a falta do meu filho. Dói sentir saudades, é o coração projetando sombras e dando agulhadas na gente. Saudade vai além disso tudo, saudade não é só um sentimento de falta que piora em alguns momentos, a saudade também é um gatilho de outras reações, pontadas na alma, lágrimas nos olhos, coração apertado, dando sombra cada vez mais constrangido pela falta e pelo egoísmo de não ter quem eu gosto do meu lado.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Papo de taxi

Hoje por conta do trânsito perdi o vôo para Porto Alegre. Bem, fui ao guichê e comprei uma passagem para amanhã. O importante é ir e cumprir o compromisso. O interessante é que eu não me estressei por isso, nem fiquei nervoso, nem irritado, nem nada. Aliás, estava de bom humor. Até agora estou de bom humor, mesmo sabendo que amanhã acordarei a 1h da manhã para ir para Guarulhos pegar um outro vôo as 5h da manhã para chegar em Porto Alegre as 7h. Acho que estou evoluindo. Mas o tema é o papo de táxi. Após comprar a passagem fui a ponto de táxi para voltar para casa, o que estava na frente foi pego antes e peguei o segundo. Sentei e dei de cara com um taxista o sr. Paulo. Viemos conversando nos 30 minutos de Viracopos até minha casa, papo interessante. Falamos sobre várias coisas, mas falamos sobre amar as pessoas. Não sei como chegou, mas amar ao próximo é quase que uma obrigação nossa, porém tem que nascer no coração, não pode ser fabricada. Comentamos sobre a dificuldade em amar algumas pessoas e chegamos a conclusão que realmente é quase impossível amar algumas pessoas. Cruzamos com este tipo de pessoa o tempo todo, eu conheço uma mulher que é impossível de se amar. Manipuladora, chantageadora, má. Desamada. Eu confesso que tento ficar longe o tempo todo, mas sei também que estou errado, pessoas assim é que precisam de amor. Mas sou humano e defeituoso. Não consigo. Papo de táxi, as vezes sobre o corinthians, mas hoje foi uma conversa muito boa. Deus te abençoou taxista Paulo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Aperto

Nos últimos meses tenho sentido sistematicamente um aperto no coração. Parece muito com a angústia respiratória, mas ela é acompanhada de insegurança nos músculos dos braços e mãos, parece muito com uma premonição.
Ainda não sei o que é, talvez seja a tensão em excesso, talvez seja alguma coisa não minha, só sei que nestes momentos só posso fazer uma coisa... orar. Esperar que aconteça o que Deus traçou e que eu tenha forças para continuar caminhando. Orando e caminhando pela vida é o que ando fazendo estes dias. O restante da vida passa como uma paisagem na janela de um ônibus, parece que ela anda mas não anda. Parece que se move para algum lugar mas está lá estática. Tudo uma questão de ponto de referência.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O que me afeta.

Ontem eu passei a tarde com o Henrique, meu filho. Ele já é pré-adolescente e estou tentando trata-lo como tal. Não sei, acho que as vezes os pais perdem a noção do crescimento dos filhos, e muitas vezes continuando tratando os mesmos como se fossem criancinhas ainda, quase bebês. Mas ontem quando eu me despedi do Henrique me deu um aperto no coração, daqueles apertos que expremem o nosso peito até a lágrima brotar nos olhos. Fiquei olhando ele entrar no prédio onde mora e depois fui embora. Ainda consigo sentir saudades antes da distância. Ainda consigo chorar por amor. Isso é bom.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Vida e morte nas mãos

As vezes nós não temos noção da importância que nós, que escolhemos trabalhar na área da saúde temos em nossas mãos. As vezes pessoas que eu gosto aparecem com doenças degenerativas graves eu me sinto impotente em não poder fazer nada. Há vários anos atrás eu me deparei com a impotência de não poder fazer nada pela falta de conhecimento. Alguns meses após a morte de um ente querido eu deparei com o tratamento dele. Pior, eu não havia deparado com esta informação antes porque eu não havia estudado o que deveria ter estudado. Poderia ter salvado a vida, mas por ignorância completa eu não o fiz. Doeu muito a minha incompetência. Depois disso eu comecei a me cobrar mais e mais. As vezes Deus manda sinais exdrúxulos. Um amigo muito querido está com câncer grave como meu pai estava. Posso fazer algo por ele? talvez, mas não deixarei de tentar. Poderei um dia pecar por excesso, mas por omissão jamais. Continuarei a trilha... e Deus sempre me puxando a orelha...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Presentes

No final do ano, coincidente com o dia 25 de dezembro há uma movimentação muito grande para presentear as pessoas. Eu gostaria de ser presenteado com um campainha d´alma.
Algum tipo de alarme que soe quando eu me afastar de Deus,
Um som que ressoe quando minha intolerância aumentar,
Uma buzina que me ensurdeça quando eu dar ouvidos a vozes malditas.
Um despertar que me acorde da inatividade.
Um toque de telefone que me chame para a humanidade.
Um psiu para me lembrar das minhas limitações.
Uma batida de sino que ecoe humanidade.
Um vibracall que me traga de volta ao mundo real.
Um barulho, um ressoar lá no fundo que me faça buscar...

Ser mais humano.
Não me deixar levar pela idolatria.
Ser tolerante com o meu irmão.
Estender a mão ao irmão desamparado.
Espalhar amor e compreensão.
Amar mais, confortar mais.
Me aproximar mais do meu Deus.
Aprender com a dor,
Aprender com a experiência,
Aprender com o amor.
Enfim, ser mais humano.